quinta-feira, 26 de abril de 2007

Terra.

Terra

nunca cri em suas ofertas baratas, muito menos em suas oferendas. e agora suas promessas estão sem crédito, pois incrédulo, você me insulta. roga-me ofensas como se eu fosse demônio, espalha em romaria que meu corpo foi errôneo ao seu lúdico nu. não entende que não quero você, só desejo suas frases coordenadas em meias palavras que se emendam em cobertores de amor.
verdade não estar vestida debaixo dos panos, mas engana-se ao achar que os traços da minha renda findam em rotas incertas. eu queria você com prazer, não com primazia. mas já não me importa minha gana, nem me surpreende seu vocabulário chulo. eu conheço o dicionário de luxo que você possui e não vou desistir de aprendê-lo.

não me inebriarei à sua libido se ela for tão infame quanto seu interior despido. fluidos não mais fruirão, nem ruídos soarão, mesmo com o suor que desliza da malícia das suas mãos em saias-justas. não quero sua afronta nem sua frente. eu só quero ser aclamada em versos e vide, em honestas hipérboles.
grite meu nome em vocativos, não em tom provocativo. sei que é perfeito em seu porte. rijo em seus caminhos nervosos, possuidor do melhor galanteio, salutar em seu ardor picante. mas estou cheia do seu saco cheio, de sua cabeça quente. palavras rudes e cruéis devem ser mais difíceis do que eu te amo.

então porque você não me tira desse imaginário e mostra que o fantástico pode ser real ao seu lado? é tão amargo viver entre algodões-doce. sai desce baixo nível em que você vive, ascende ao magnífico e abaixa minha poeira. não mais me cabe viver em espreita, não me peça para ser a outra, peça pra ser aquela que sairá do mais elevado céu e te fará feliz em firme terra.

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último elemento da série.

3 comentários:

Guilherme Genestreti disse...

"Those three words are said too much
They're not enough"

lipsen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lipsen disse...

atualiza!!!
(o comentário excluído ali é meu)