quarta-feira, 11 de abril de 2007

Fogo

houve uma vez que demos certo e fomos felizes. não para sempre, acho que o suficiente para esgotar todo o amor que sentíamos. eu não sabia seu nome, você me chamava docinho, para não confundir com Maria.foi um encontro e nos perdíamos em frases feitas na frente do espelho, ensaiadas como uma coreografia, eram reflexos do que sentíamos. puro ainda de primeira vista, as palavras saíam ao céu bonitas, como as de caligrafia, enquanto nos enchíamos de carinho um do outro.usamos tanto, desse abuso, que gastamos tudo. acabou. mas já estávamos nos gostando e preferimos fazer sexo ao invés de mais amor.meu corpo ardente fez um belo par ao seu charme ardiloso. seus traços retos encaixavam perfeitamente nas minhas curvas. a tua língua que não se saciava na minha, já conhecia toda a leitura labial do meu corpo e creio que seus dedos aprendiam braile pelo meu seio. roxo me caiu bem, principalmente entre as pernas e no pescoço que se elevava enquanto era levada ao teu gosto bom de vida.teu olhar de quem trai, era traduzido para um que me atrai. e eu derramava creme em mim para cobrir o crime que você em seu anseio, provou. as marcas que você deixava, de leite, cobriam os delitos e os deleites do calor que saía em forma de chama e transbordava, derramava pela cama e fazia as pétalas das rosas se abrocharem envergonhadas.você foi atencioso, tranqüilo, tinha a manha de um homem a sanha de um menino. o seu ardor, rimava ao meu sabor picante. dor não existia em nosso idioma. temperos fortes não faltavam ao teu charme. nossos gemidos eram um só, e mesmo assim respirávamos separados.incenso e velas iluminavam e enterneciam. você ligeiro em suas atitudes, perfeito em suas longitudes, de repente levantou. beijou-me. deixou-me dizendo agora estar completo. e tudo se apagou, deserto. menos o meu fogo.

[da série: elementos]

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