Madeira
agitam-se os cupins com o teu cheiro de figueira, todo o aroma está cheio. sua cara de pau incita minha cabeça oca a malícia erógenas, seduzindo-me. excita-me a perícias eróticas, conduzindo-me. os meus mais iludidos pensamentos seguem teu rastro afrodisíaco que ocupa todos os quatro ventos e o fazem quatro paredes. é lá onde te tenho por um momento. e eu aproveito todos os minutos para te engolir por completo e sugar por inteiro.pé ante pé, debruçando meu corpo sobre teu corpo, despertando calores e calafrios, meus dentes definem os traços da tua boca e mancham seu rosto com o escarlate do meu batom vermelho misturado ao sangue dos seus lábios finos. transformo-me no teu desejo, sou uma leoa na cama, sou camaleoa e não mais suporto o fato de termos simplesmente afeto.
se o que eu quero, além de você, é o seu sexo suprindo minhas idéias sem nexo e minhas fantasias. gravo palavras de amor com minhas unhas cravadas na tua pele, grifo você nas mais modestas poesias que saem dos meus dedos. grafo em teu peito a mais bela metáfora que posso aplicar-te: você é a mais completa das metonímias, cada pedaço seu, é um pecado ao todo que me remete, me mata e me mete a perigosas orgias.
entrego-me de bandeja, a você não serve. acho que meu erotismo é sem serventia. desperto da minha alucinação, meu corpo alto voa amarrado ao chão, desgrenhada, desejando de qualquer maneira, que o dia escureça e você me tire dessa revolta e devolva-me ao irreal. deixando-me com o seu boa noite, transformando meus pesadelos em noites boas, cheio de sonhos bons, através do teu cheiro madeira.
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da série: elementos.
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