Ar
uma eternidade se passava todos os dias. de modo que o infinito se expandia mais um pouco e as pegadas do seu riso eram apagadas por uma onda de idéias minhas que vinham e voltavam, a deriva de suposições. talvez se você tropeçasse em seus corriqueiros pensamentos, eu pudesse te segurar. quem sabe eu te assegurasse do melhor, quem sabe eu te maravilhasse e finalmente saísse da janela das incertezas.
imaginava durante horas os oras que aconteceriam. os lares vazios dos nossos olhares trocados. eu ousando contemplar com os meus castanhos desbotados a imensidão dos seus olhos azuis, acho que eles se completariam.tua mão possivelmente quente, seguraria a minha completamente trêmula. não sei se ficaria pálida, branca, ou se rubraria, vermelha. sei que você me suspiraria palavras no ouvido e todos os instantes em que te vi andando calmo em seu cotidiano, traduziriam-se em arfares e gemidos apenas. certeza que minha inspiração se esvairia com a minha sede esvairada de você.
quiçá as palavras finalmente me faltassem, e os seus lábios tirassem dos meus mudos, a vontade e o desejo. se por uma vez somente, você notasse que estou sufocada e por fim, com um beijo, devolvesse o ar.
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