quinta-feira, 19 de abril de 2007

Ãgua

Água

vagando por angústias condensadas, divagando em frases rasas, eu vou a deriva dos males. um banho derramado, sofrido, rega-se de momentos felizes. mas felicidade é tão triste quando apenas se recorda e não se vive. então me afogo em minhas lástimas murchas. ao menos elas me sedam, e não me enchem de saudades.
choro é tão somente ponta de iceberg, uma vez que lágrima, quando mágoa, é gélida. corta as pupilas e delata o verdadeiro estado físico. salinas deslizam em minha tenra face, borrando a terna farsa do sorriso que você delineou antes de ir. minha lagoa rima e se magoa, ritmo é para os corações falados nos livros, apaixonados... o meu coração é falido; as ondas afundam na minha boca o seu salivar suave, e só me resta guardar alguns mililitros do seu sabor em meus lábios como um conta-gotas de ilusões.
sofro um pouco a cada dia, no meu riacho de nada. uma ducha vazia se despeja e me joga de volta a minha vida sem um pingo de graça. desgraça...
desculpe-me os choramingos amargos, eu não mais rio pois fiz um mar do meu lago. salgado pelas minhas lágrimas que vão e te leva, que vêm e não te traz... meus mais belos momentos unem-se às minhas mais raras lembranças e evaporam. formam do meu doloroso oceano uma nuvem negra que se traduz em tormentos e se desmancha numa tempestade de fria água.




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da série: Elementos.
faltam mais dois.

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