quarta-feira, 25 de abril de 2007

Metal

Metal

cravada na minha garganta jazem palavras bonitas, entaladas pela nossa última briga. e como um maldito eco, ressono intransitivas pragas, verbalizo adjetivos sem qualidade, e todos eles te dedico. faço um relicário de ocasiões infantis. amasso os bilhetes e cartas, retalho as poesias toda prosa, elas sangram tinta e pena. cuspo no teu três por quatro e te separo de mim em meus porta retratos; cacos, rasgada ao meio, separada, um martírio se forma e me domina.

quando você sofre, eu sofro um outro tanto. de modo que eu não mais suporto, exalar corpo adentro, o que não se passa agonia afora. tornam-se falsetes, os xingamentos e verbetes que lhe envio. não que eu ateste sua implacável lâmina, o que dói e detesto é o furor que se aclama em nossas intrigas. não creio que ainda haja dúvidas, que você aja ríspido por ciúme.

se desconfiança há, traga-me aquele gume, trague-me; enfie-me adaga e envie-me de vez à paz, ao invés de me matar aos pedaços pelo pecado que não cometi.viole-me. arranca finalmente o coração que te pertence. talvez assim você se conforte e acredite que eu embrulharia minha vida e te daria se pudesse. quem sabe então eu me desprovesse das correntes que me prendem a você. e com um letal golpe, liberasse a voz e os enfoques dos meus gritos suprimidos no pescoço e enfim eles não mais teriam o gosto de metal.

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